quinta-feira, 31 de maio de 2012

Semana do poeta: Clarice Lispector - Parte IV



No ano de 1950, escrevendo contos e convivendo com os amigos (Sabino, Otto, Lúcio e Paulo M. Campos), vê chegar a hora de partir: seguindo os passos de seu marido, retorna à Europa, onde mora por seis meses na cidade de Torquay, Inglaterra.

Sofre um aborto espontâneo em Londres. É atendida pelo vice-consul na capital inglesa, João Cabral de Melo Neto.

A escritora retorna ao Rio de Janeiro, em março de 1951. Publica uma seleta com seis contos na coleção "Cadernos de cultura", editada pelo Ministério da Educação e Saúde. Falece sua grande amiga Bluma, ex-esposa de Samuel Wainer.

Em 1952 cola grau na faculdade de direito, depois de muitos adiamentos. Volta a trabalhar em jornais, no período de maio a outubro, assinando a página "Entre Mulheres", no jornal "Comício", sob o pseudônimo de "Tereza Quadros". Atendeu a um pedido do amigo Rubem Braga, um dos fundadores do jornal. Nesse setembro, já grávida, embarca para a capital americana onde permanecerá por oito anos. Clarice inicia o esboço do romance A veia no pulso, que viria a ser A Maça no Escuro, livro publicado em 1961.

Em 10 de fevereiro de 1953, nasce Paulo, seu segundo filho. Ela continua a escrever A Maça no Escuro, em meio a conflitos domésticos e interiores. Mãe, Clarice Lispector divide seu tempo entre os filhos, A Maçã no Escuro, os contos de Laços de Família e a literatura infantil. Nos Estados Unidos, Clarice conhece o renomado escritor Erico Veríssimo e sua esposa Mafalda, dos quais torna-se grande amiga. O escritor gaúcho e sua esposa são escolhidos para padrinhos de Paulo. Não tem sucesso seu projeto de escrever uma crônica semanal para a revista "Manchete". Tem a agradável notícia de que seu romance Peto do coração selvagem seria traduzido para o francês.

A primeira edição francesa de Perto do coração selvagem, é lançada em 1954, pela Editora Plon, com capa de Henri Matisse, após inúmeras reclamações da escritora sobre erros na tradução. Em julho, com os filhos, viaja para o Brasil, aqui ficando até setembro. De volta aos Estados Unidos, interrompe a elaboração de A maça no escuro e se dedica, por cinco meses, a escrever seis contos encomendados por Simeão Leal.

Em 1955 retorna a escrever o novo romance e contos. Sabino, que leu os seis contos feitos sob encomenda, os considerou "obras de arte".

A Maça no Escuro (até então com o título de A veia no pulso) é concluido em 1956. Érico Veríssimo e família retornam ao Brasil, não sem antes aceitarem serem os padrinhos de Pedro e Paulo. Entre os escritores, inicia-se uma vasta correspondência. A escritora e filhos vêm passar as férias no Brasil e Clarice aproveita para tentar a publicação de seu novo romance e os novos contos. Apesar de todo o empenho de Fernando Sabino e Rubem Braga, os livros não são editados. A escritora dá sinais de sua indisposição para com o tipo de vida que leva.

No ano de 1957, rompe unilateralmente o contrato com Simeão Leal e autoriza Sabino e Braga a encaminharem seus contos, nessa altura em número de quinze, para serem publicados no "Suplemento cultural " do jornal "O Estado de São Paulo". Seu casamento vive momentos de tensão.

Em 1958 conhece e se torna amiga da pintora Maria Bonomi. É convidada a colaborar com a revista "Senhor", prevista para ser lançada no início do ano seguinte. Érico Veríssimo escreve informando estar autorizado a editar seu romance e, também, seus contos pela Editora Globo, de Porto Alegre. Mil exemplares, dos mais de 1700 remanescentes - de "Près du coeur sauvage" são incinerados, por falta de espaço de armazenamento. O casamento de Clarice dá sinais de seu final.


Clarice separa-se do marido e regressa ao Brasil com seus filhos em 1959. Seu livro continua inédito. A escritora resolve comprar o apartamento onde está residindo, no bairro do Leme, e, para isso, busca aumentar seus ganhos. Sob o pseudônimo de "Helen Palmer", inicia, em agosto, uma coluna no jornal "Correio da Manhã", intitulada "Correio Feminino - Feira de utilidades".

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